quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A Doença Mental na Mulher

Foi inicialmente descrita com o termo "Dementia Preacox", mas passou a ser conhecida como esquizofrenia. O termo deriva do grego e significa "cisão da mente".

Historicamente, a definição desta doença foi criada por Emil Kraepelin, em 1896, que chegou à sua classificação baseando-se nos sinais do desenvolvimento da esquizofrenia em estado relativamente precoce (Precox) e da progressiva deterioração dos doentes (Dementia).

O termo esquizofrenia remonta ao princípio de 1900, quando Eugen Bleuer, desenvolvendo a definição de Kraepelin, quis esclarecer a dissociação que a doença cria entre emoção, pensamento e comportamento. De fato, Bleuer sustentava que não existia uma evidência tão drástica de demência e que nem sempre estava presente um dano de natureza cognitiva, da inteligência, da capacidade de conceituar e elaborar, tratando-se principalmente de um problema de relação com os outros. Consequentemente, não era correto falar de demência porque nem todos os atingidos por esta doença iriam necessariamente tornar-se dementes, ou seja, privados das capacidades intelectuais e cognitivas características de uma pessoa normal.

A doença mental se instala em pessoas jovens. O pico da instalação se dá, no homem, por volta dos 25 anos de idade. A mulher parece estar um pouco mais protegida. Nela a doença ocorre mais tarde por volta dos 29/30 anos. A incidência, porém, é igual nos dois sexos. A proporção é de um homem para cada mulher com a doença.


A doença é mais benigna na mulher. Mais benigna provavelmente por dois fatores: a instalação da doença ocorre mais tarde e elas se casam mais cedo. Assim, antes da manifestação da psicose, a mulher tem a possibilidade de construir uma rede social e familiar que vai ajudá-la no decorrer da doença. Coisas simples como tomar medicação de forma adequada e procurar o médico precocemente fazem diferença.
Por casar-se mais tarde e a doença instalar-se mais cedo, freqüentemente o homem não construiu ainda essa estrutura familiar que lhe dê respaldo. Outro motivo, ainda objeto de pesquisa, que torna a doença mais amena na mulher, é que os hormônios sexuais femininos, os estrógenos principalmente, têm na célula nervosa um efeito semelhante ao dos medicamentos antipsicóticos. É como se a mulher possuísse um antipsicótico endógeno protegendo-a contra as manifestações da doença.

. É raro o homem adoecer pela primeira vez depois dos 40 anos de idade. No entanto, cerca de 10% das mulheres têm o primeiro surto psicótico esquizofrênico depois dos 45 anos, época em que ocorre a menopausa e cai a produção de estrógenos

A doença mental em mulheres com companheiro ou marido, emprego e vida social ativa é mais facilmente estabilizada que em homens com as mesmas condições, revela um estudo, denominado SOHO (Schizophrenic Outpatients Health Outcomes).

Trata-se do maior estudo em doentes esquizofrênicos que envolveu dez países europeus, 30 psiquiatras e cerca de 11 mil doentes durante três anos de acompanhamento. Portugal participou neste estudo com 175 doentes, que teve como coordenador nacional João Marques-Teixeira, Professor da Universidade do Porto e Diretor da Unidade de Investigação em Saúde Mental e Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de Ferreira.

As últimas conclusões do trabalho, iniciado em 2001, mostram que a taxa de recaída ao fim de três anos é de aproximadamente 25% (em doentes com formas menos graves da doença) e que o fato de ser mulher, ser socialmente independente, estar numa situação laboral remunerada, ter um cônjuge ou companheiro, muito contribuiu para a remissão da doença.

Os doentes, majoritariamente do sexo masculino (65,6%), apresentavam uma idade média de 36,5 anos.

No que respeita às condições de vida, verificou-se que 64,4% dos doentes portugueses com doenças mentais vivem dependentes da família, apenas 18,6% preferem ter uma relação com um cônjuge ou companheiro, a maioria está desempregada (35%) ou reformada (33,7%) e 41,5% dos doentes referiram não ter atividades sociais com amigos ou familiares.

Cerca de um terço dos doentes apresenta sinais de hostilidade ou agressividade, embora poucos sejam presos (1,3%) ou vítimas de crime violento (3,8%). No que se refere à qualidade de vida destes doentes, concluiu-se que 70,6% sente dificuldade em executar as suas atividades diárias, 76,3% apresenta co-morbilidade de Ansiedade e Depressão, cerca de metade acusa dor ou desconforto, 25% não é capaz de realizar tarefas ligadas a cuidados pessoais e 60% sofre de Disfunção Sexual.

Calcula-se que, a nível mundial, cerca de 50 milhões de indivíduos (1% da população) sofram desta doença.

Segundo um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, a incidência desta doença, ou seja, o número de novos casos que se verificam anualmente, oscila entre 7 e 14 em cada 100 mil habitantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 54 anos.

A doença mental atinge tanto homens como mulheres. Nos homens manifesta-se pela primeira vez em idades muito precoces, geralmente entre os 15 e os 25 anos, enquanto que nas mulheres os primeiros sintomas surgem entre os 25 e os 35 anos.

A doença manifesta-se com algumas diferenças, consoante os diversos contextos culturais e socio-econômicos. É mais frequente nas classes sociais desfavorecidas, em parte explicado pelo caráter insidioso e progressivo da doença, provocada por causas independentes da classe social, conduzindo a que apenas seja permitido ao esquizofrênico atingir níveis socio-econômicos relativamente baixos. Por conseguinte, e conforme demonstram os dados da Organização Mundial de Saúde, nos países em vias de desenvolvimento a doença tem um curso e uma evolução mais favoráveis devido às diversas condições sociais. Por exemplo, nas aldeias africanas, a doença mental pode ter maiores possibilidades de cura, não porque se manifeste com menor gravidade, mas porque há uma aceitação diferente da doença comparativamente às regiões mais civilizadas, onde é frequentemente mais marginalizada.


A doença mental implica enormes custos econômicos. Basta pensar que só esta doença absorve cerca de 10% dos encargos com a saúde destinados à psiquiatria. Por conseguinte, deve ser considerada um grave problema de saúde pública. Uma investigação realizada pela Sociedade Italiana de Psiquiatria concluiu que as perturbações esquizofrênicas representam mais de 40% do aporte de trabalho dos serviços de assistência psiquiátrica. A doença mental é uma doença que compromete todos os aspectos da vida psíquica do doente, alterando-lhe profundamente a rede relacional. Na prática, é o produto de uma profunda mudança da personalidade, do pensamento, dos afetos e do sentido da própria individualidade. É uma grave perturbação da relação consigo próprio e com o mundo, que leva a confundir a fantasia com a realidade e que conduz a modos de vida inadaptada.

A MULHER CONTEMPORANEA

Durante séculos a mulher foi deixada em segundo lugar pela sociedade dita masculina.A igreja pintou a mulher como a desgraça de todos os males.A Eva nasceu da costela do Adão e foi por causa dela que perdemos o paraíso. A desgraça do Sansão líder na luta contra os filisteus foi de ter- se apaixonado por Dalila. Maria Madalena foi considerada prostituta devido a sua ligação próxima com Jesus de Nazaré.O surgimento da pílula foi um motivo de inquietação na sociedade civil, os homens temiam perder o controlo sobre as suas mulheres devido a tomar da pílula, já que muito achavam que elas podiam pecar só por tomar a pílula.Na Índia ter uma filha é considerado castigo de Deus,já que os pais da menina tem que arranjar dote para elas arranjarem maridos.Os filmes do James Bond o agente ao serviço de sua Majestade,mostra sempre ele a ser é traído por uma linda mulher.

Houve cientistas que afirmaram que a mulher não tinha cérebro, outros até diziam que tinha,mais que era muito pequeno para guardar certas informações.A mulher já foi vista como uma pessoa estúpida e que tinha como função na sociedade servir o marido. Há ainda hoje quem acredita que a mulher não deve ter um papel importante na sociedade por nascer da costela do homem.Outros acham que ter uma mulher como presidente de um país, seria a desgraça dessa nação.A quem acha que deviam ficar em casa a cuidar do lar.

Qual será o motivo dessa invenção ao longo dos séculos?
Será uma maneira do sexo inferior dominar o superior?
O ovo e galinha quem nasceu primeiro?

Não consigo encontrar justificação plausível para tanta discriminação ao longo da História da Humanidade.Por isso, tive que recorrer a minha teoria da conspiração.

A partir da década de 60, a sociedade brasileira passou por intensas transformações sociais, políticas e culturais. Houve reformulação de valores, transformando anseios de toda uma geração. Mas, nem tudo resultou num efetivo avanço.

A liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que resgatava a necessidade de constituição de espaços democráticos para a palavra, acabou por fomentar um individualismo exacerbado, que se constituiu num modo de atuar no mundo, privilegiando um comportamento extremamente egoísta, em que a cultura do “eu acho” passou a dominar as relações, gerando muitas vezes um comportamento prepotente e, por isso, autoritário.

As relações afetivas sofreram modificações do ponto de vista qualitativo, pois passaram a ser conseqüência da relação de consumo estabelecida na sociedade. É o “ficar”, desprovido de qualquer intenção de vínculos afetivos sólidos, em que o consumo nas relações reflete a própria ideologia existente na atual sociedade, o que gera uma permanente insatisfação, frente a cada desejo alcançado. É um modo de vida descartável, tanto de produtos como de pessoas.

A mulher não saiu do fogão e foi direto para o computador, pois o fato de começar a ter maior conscientização de seu papel, tendo também maior necessidade de ingressar no mercado de trabalho, como complementação da renda familiar, nem sempre se traduziu em um alcance de suas necessidades e, muito menos, de seus objetivos e realizações.

O desdobramento dos novos papéis da mulher introduziu-a na “cultura da sobrecarga”, em que “não se tem tempo para mais nada”, obrigando-a a longas jornadas de trabalho, por acumular tarefas dentro e fora de casa, com uma remuneração sempre menor daquela paga ao homem.

Já nos dias de hoje, observa-se que, mesmo com os avanços tecnológicos que permitem a criação de aparelhos eletrodomésticos, cujo objetivo é facilitar as tarefas do cotidiano, a mulher encontra-se, ainda, atrelada ao espaço doméstico, escravizada por um determinismo cultural que não a libertou das suas responsabilidades, impregnadas ao seu papel social. Por quê?
A maternidade ocupa um espaço significativo na vida da mulher. Faz parte do ideário feminino, o que acaba por dificultar a realização de projetos pessoais. A vida profissional da mulher e mãe acaba sendo prejudicada pelo fato deste espaço estar, mesmo nos dias de hoje, circunscrito essencialmente ao ambiente feminino. A participação masculina nas tarefas domésticas sem dúvida aumentou, mas o conjunto das atividades que envolvem a maternidade ainda é um universo típico e quase que exclusivo da mulher.

Na medida em que o exercício da maternidade requer o vínculo da mulher a seus filhos, e por muitos anos, acaba por restringir suas possibilidades de se dedicar ao trabalho. E quando resolve ser mãe tardiamente, a mulher já terá tido tempo e oportunidade para encaminhar sua carreira. Mesmo assim não irá escapar das responsabilidades de seu papel de mãe, o que implica uma sobrecarga por um longo período.

No caso específico da mulher de baixa renda, a sua permanência no mundo do trabalho tem se dado de forma extremamente precária, pois, para que isso seja possível, depende de uma vizinha ou mesmo de um parente, a quem normalmente remunera, para que seja possível dar conta da maternidade, juntamente com seu trabalho. As creches públicas não dão conta de absorver a demanda existente.

Como afirmou Engels, “a mulher só se emancipará quando puder participar, em grande medida social, na produção, e não for mais solicitada pelo trabalho doméstico, senão numa medida insignificante”.

Sem retirar a responsabilidade dos órgãos públicos para a consolidação de um estado de bem-estar mínimo, há que se pensar de que forma a família pode também, a partir de si mesma, começar a exercitar um novo paradigma de relacionamento. Pensa-se, assim, contribuir para a reconstrução de valores morais, culturais, políticos, humanos, sociais etc., tão dispersos na atualidade. Necessário se faz enxergar e ouvir o outro, a fim de viver minimamente a sua dor; condição essencial para o alcance de um mundo melhor, mais justo, mais solidário, mais afetuoso e mais fraterno. Não há reflexão sem escuta de si mesmo e do outro!

É preciso, portanto, que a mulher perceba-se como sujeito histórico na vida cotidiana, pois instituições como a família são fundamentais para a vida em sociedade
A Constituição de 1988 trouxe importantíssimas modificações ao Direito de Família, especialmente entre os cônjuges e no tocante a filiação, muito embora alguns ilustres autores insistam na manutenção de normas que a sociedade moderna não mais admite e que são nitidamente inconstitucionais.

Logo nas primeiras normas nos deparamos com uma extrema preocupação concernente na igualdade entre homens e mulheres de qualquer raça, credo ou nacionalidade, como sendo um dos cinco direitos invioláveis, ao lado da vida e da liberdade (artigo 5º em seu caput).

Nos textos anteriores já se falava em isonomia, contudo, tratava apenas da igualdade de tratamento perante a lei, mas no que diz respeito à mulher, era insuficiente para sua emancipação e não impedia as várias formas de discriminação. Assim, com a Carta de 88 foi inserido um princípio mais incisivo e específico que acabou sendo o item I do artigo 5º - "homem e mulher são iguais em direitos e obrigações, nos termos da Constituição, e no item XLI do mesmo artigo -" a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais ".

A atual Constituição Federal trouxe um novo status constitucional à mulher, embora não acarrete por si só uma nova ordem social e familiar, pois ainda restam comportamentos discriminatórios em toda parte, vez que estamos falando de um país com dimensões gigantescas, mas causou, sem sombra de dúvidas, conseqüências em toda a legislação positiva, atual e futura que deverá alterar ou revogar artigos que contradigam esse status. Com isso, se faz necessário que se rescrevam os artigos das leis ordinárias, no sentido do cumprimento da norma constitucional, para preencher o vazio normativo que se criou, ante a revogação das normas que dão tratamento desigual entre homens e mulheres e a não regulamentação dos novos direitos e deveres entre estes, e aqui não falo nem entre cônjuges, pois com a Constituição uma nova entidade familiar foi reconhecida, a União Estável.


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domingo, 17 de agosto de 2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

DYLAN THOMAS


Post by TITA PRINCIPE

Dylan Thomas/Carlos Machado

Nascido no País de Gales em 1914, Dylan Thomas foi um garoto fascinado pelo idioma. Na escola, era excelente em inglês e péssimo aluno no resto das disciplinas. Aos 16 anos, abandonou os estudos. Seu primeiro livro de poemas, Eighteen Poems (1934), um sucesso de crítica, foi publicado quando ele tinha 20 anos. Lírico, Dylan Thomas se identificava menos com os modernos do que com a tradição romântica.

Aos 35 anos, em 1950, o poeta visitou os Estados Unidos pela primeira vez. Teatral, romântico e dado a porres homéricos, ele se tornou uma figura lendária nos EUA e isso ajudou sua divulgação para o mundo. Thomas tornou-se um ídolo para a geração dos poetas da chamada beat generation.

Ele arrebatava platéias com sua voz grave ao ler seus versos em teatros e universidades. Sua influência se espraiou até a música pop. Sabe-se que o jovem cantor e compositor americano Robert Allen Zimmerman adotou o nome Bob Dylan em homenagem ao bardo galês.

Dylan Thomas morreu de alcoolismo, aos 39 anos. Consta que, no dia de sua morte, já com sérios problemas de saúde, ele teria se jactado de ingerir 18 doses de uísque. Foi em Nova York, em 1953.

Recentemente, o poeta Ivan Junqueira reeditou sua tradução dos Poemas Reunidos de Dylan Thomas. Além da tradução, Junqueira escreveu um alentado ensaio sobre o trabalho dylaniano, além de notas que ajudam o leitor a situar os poemas no contexto histórico e pessoal do poeta.

Neste boletim, transcrevo dois poemas de Dylan Thomas. O primeiro, em tradução de Ivan Junqueira, é "Do Not Go Gentle Into That Good Night" ("Não Entres Nessa Noite Acolhedora com Doçura"). Há pelo menos uma outra tradução deste poema, assinada por Nelson Ascher. Sei dela por meio de uma citação do colunista Contardo Calligaris, na Folha de S. Paulo. Mas Calligaris cita apenas as três primeiras linhas da versão de Ascher: "Não te vás dócil boa noite adentro,/ Cabe à idade se irar e arder no fim do dia;/ Afronta, afronta a luz que está morrendo."

Esse texto, incrivelmente sensível e musical, foi escrito pelo poeta para o pai dele, David John Thomas. Doente, o velho começou a se render. Para animá-lo, o poeta recomenda raiva e rebeldia "contra a morte da luz".

O segundo poema é "In My Craft or Sullen Art", no qual o poeta toma como tema a própria arte poética. Nessa profissão de fé, o romântico Dylan Thomas diz que escreve não pela glória ou pelo pão, mas pelo salário mínimo que lhe pagariam os corações amantes. Aqui, esse poema vai em duas traduções: uma de Ivan Junqueira ("Em Meu Ofício ou Arte Taciturna") e a outra de Ivo Barroso ("No Meu Ofício ou Arte Amarga").

A VOZ DO POETA

Para entender por que Dylan Thomas encantava multidões em suas leituras de poesia, clique no alto-falante acima e ouça-o dizendo o poema "Do Not Go Gentle Into That Good Night".

Carlos Machado



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O salário mínimo da poesia

Dylan Thomas





NÃO ENTRES NESSA NOITE ACOLHEDORA COM DOÇURA

Tradução: Ivan Junqueira


Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Pois a velhice deveria arder e delirar ao fim do dia;
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.

Embora os sábios, ao morrer, saibam que a treva
[ lhes perdura,
Porque suas palavras não garfaram a centelha
[ esguia,
Eles não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os bons que, após o último aceno, choram pela
[ alvura
Com que seus frágeis atos bailariam numa verde
[ baía
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

Os loucos que abraçaram e louvaram o sol na etérea
[ altura
E aprendem, tarde demais, como o afligiram em sua
[ travessia
Não entram nessa noite acolhedora com doçura.

Os graves, em seu fim, ao ver com um olhar que os
[ transfigura
Quanto a retina cega, qual fugaz meteoro, se
[ alegraria,
Odeiam, odeiam a luz cujo esplendor já não fulgura.

E a ti,meu pai, te imploro agora, lá na cúpula
[ obscura,
Que me abençoes e maldigas com a tua lágrima
[ bravia.
Não entres nessa noite acolhedora com doçura,
Odeia, odeia a luz cujo esplendor já não fulgura.


DO NOT GO GENTLE INTO
THAT GOOD NIGHT

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.



EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA

Tradução: Ivan Junqueira

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou por pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.

Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.


NO MEU OFÍCIO OU ARTE AMARGA

Tradução: Ivo Barroso

No meu ofício ou arte amarga
Que à noite tarda é exercido
Quando alucina só a lua
E dormem lassos os amantes
Com as dores todas entre os braços,
É que trabalho à luz cantante
Não pela glória ou pelo pão,
Desfile ou feira de fascínios
Por sobre palcos de marfim,
Mas pela paga mais afim
De seus secretos corações!

Não para alguém altivo à parte
Da lua irada é que eu escrevo
Os respingados destas páginas
Nem pelos mortos presumidos
Cheios de salmo e rouxinóis.
Mas para amantes cujos braços
Têm os cansaços das idades
Que não me dão louvor nem paga
Nem prezam meu ofício ou arte.


IN MY CRAFT OR SULLEN ART

In my craft or sullen art
Exercised in the still night
When only the moon rages
And the lovers lie abed
With all their griefs in their arms,
I labor by singing light
Not for ambition or bread
Or the strut and trade of charms
On the ivory stages
But for the common wages
Of their most secret heart.

Not for the proud man apart
From the raging moon I write
On these spindrift pages
Nor for the towering dead
With their nightingales and psalms
But for the lovers, their arms
Round the griefs of the ages,
Who pay no praise or wages
Nor heed my craft or art.


poesia.net
www.algumapoesia.com.br
Carlos Machado, 2005
Dylan Thomas
• "Não entres nessa noite acolhedora com
doçura"; "Em meu ofício ou arte taciturna"
In Poemas Reunidos 1934-1953
Tradução de Ivan Junqueira
José Olympio, 2a. ed. revista
Rio de Janeiro, 2003
• "Em meu ofício ou arte amarga"
In Ivo Barroso
O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal
Record, Rio de Janeiro, 1991

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Flagrantes de Salvador




Fotos André Filipe

No Reino Unido

Assassino de inglesa se diz arrependido e culpa drogas e bebidas: "Quero pagar pelo que fiz"


Mohamed D'Ali Carvalho, acusado da morte da jovem inglesa Cara Burke, se mostrou arrependido durante uma coletiva concedida à imprensa no final da manhã de hoje, na Delegacia de Homicídios. "Agora, quero pagar pelo que fiz", disse. Ao contrário de imagens anteriores, quando chegou a ser flagrado sorrindo, ele se mostrou cabisbaixo durante toda a entrevista.

Assim como fez para a polícia, ele assumiu o crime também para os jornalistas. "Estou arrependido. Tenho pena da mãe da Cara", disse. Ele tentou justificar o crime e culpou o uso de drogas e bebidas alcoólicas. "Não me lembro de detalhes. Tinha usado muita droga e bebido muito. E nunca faria uma coisa dessas se não tivesse sob efeitos de drogas", disse.
Mensagem no celular de Mohamed D'Ali Carvalho no dia 28/07


Mohamed deu detalhes do crime e confirmou a versão da polícia da ação da morte, esquartejamento e ocultação do corpo. Depois de tê-la matado a facadas, ele levou Cara para o banheiro e foi a uma festa. Voltou no dia seguinte, cortou pernas, braços e cabeça da vítima. Acondicionou o tronco na mala de viagem de Cara. Cabeça e membros foram colocados em sacos plásticos e levados em uma mochila.

Mohamed também declarou que agiu sozinho, tanto no assassinato como na ocultação de cadáver. E chegou a fazer drama ao relatar o que pensou quando voltou da festa e encontrou o corpo de Cara no banheiro do apartamento. "Na hora, pensei em me jogar da varanda. Mas pensei em minha mãe. Ela prefere me ver preso do que me ver morto."

Ele negou que seria namorado de Cara Burke. Disse que gostava muito dela, mas o relacionamento entre os dois seria apenas amizade. Ele também negou que tenha mantido relações sexuais com a vítima pouco antes do crime. Nos exames realizados no corpo foi constatada a presença de esperma no útero de Cara. Amostras foram retiradas para serem comparadas ao DNA de Mohamed.

Questionado sobre o futuro na prisão, ele disse que teme ser morto no presídio. A previsão é de que ele deixe a carceragem da Homicídios na próxima sexta-feira. Ele ficará preso na Casa de Prisão Provisória do complexo prisional de Aparecida de Goiânia.

Corpo será recomposto e levado à Inglaterra

A Polícia Civil de Goiás confirmou nesta quarta-feira que, independente do destino, o corpo da garota inglesa Cara Burke será recomposto antes de ser entregue aos familiares. A informação é do delegado Jorge Moreira, titular da Delegacia de Homicídios. A definição sobre a liberação do corpo será do Judiciário, mas tudo indica que será mesmo enviado para os parentes na Inglaterra.

De acordo com a Assessoria de Assuntos Internacionais do Governo de Goiás, a família da inglesa já conseguiu recursos para o traslado. "Fiz um contato com mãe da garota e ela me informou que uma senhora lá da Inglaterra, que não se identificou, se dispôs a pagar pelo traslado do corpo", disse Elie Chediac, titular da pasta. Outra possibilidade seria a cremação ou mesmo o sepultamento aqui no Brasil.

Segundo Chediac, foi feito um levantamento preliminar e o custo do deslocamento do corpo para Londres seria de cerca de R$ 10.500. "Mas não dá para saber de prazo. Mesmo porque a liberação do corpo depende exclusivamente da Justiça."

A equipe de buscas do Corpo de Bombeiros de Goiás encontrou, no fim da manhã de hoje o que pode ser a última parte do corpo da garota inglesa Cara Burke. Após uma semana de buscas, foi encontrada a perna que estava desaparecida. No dia 28, o tronco foi encontrado em uma mala abandonada às margens do rio Meia Ponte em Goiânia. A inglesa foi reconhecida por meio de uma tatuagem.

Na segunda-feira (4) foram localizados os braços e a cabeça que estavam em um saco na região do ribeirão Sozinha, no município de Bonfinópolis (GO). Uma das pernas foi localizada no domingo (3).

Desde quarta-feira (30), equipes de bombeiros trabalham nas buscas que contou o com auxílio de cães farejadores. Após encontrarem a perna, a operação foi encerrada.

PARIS



Paris Hilton entra na campanha presidencial nos EUA




Paris Hilton no vídeo que fez para responder à John McCain

ASSI

Paris Hilton entrou na campanha presidencial dos Estados Unidos para criticar "este cara enrugado e de cabelo branco", disparando contra o republicano John McCain em um vídeo difundido na Web.

Hilton reagiu assim à propaganda da campanha de McCain que utiliza sua imagem para ironizar a vocação de celebridade do candidato democrata, Barack Obama.

O vídeo, no qual Paris Hilton promete pintar a Casa Branca de Rosa se for eleita, pode ser visto no site Funnyordie.com.

A herdeira da rede de hotéis Hilton aparece em uma cadeira a beira de uma piscina e diz: "Hey América, sou Paris Hilton e também sou uma celebridade, mas não venho do passado e não prometo a mudança, como o outro. Sou apenas explosiva, mas este cara enrugado e de cabelos brancos me utilizou em seu anúncio de campanha, o que me leva a crer que também sou candidata à presidência. Então, obrigado pelo apoio, cara do cabelo branco, e quero que os Estados Unidos saibam quem sou, completamente pronta para assumir desafios".

Em seguida, Hilton revela suas estratégias para o uso de energia alternativa, sugerindo que tem planos que combinam as idéias de McCain e de Obama: "Podemos limitar a exploração (offshore) enquanto criamos incentivos fiscais para que Detroit produza carros híbridos e elétricos...".

Antes de terminar, Hilton revela que está "pensando em Rihanna", a cantora de Barbados, para ser sua vice.

"Nos vemos na Casa Branca. Oh!, deveria pintá-la de rosa. Bye!".

Tucker Bounds, porta-voz do candidato republicano, não demorou a reagir: "Parece que Paris Hilton apóia as propostas de John McCain sobre a crise energética nos Estados Unidos".

"Paris Hilton talvez não seja uma celebridade tão grande como Barack Obama, mas certamente tem um melhor projeto energético", disse Bounds.

EXPO

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"LEI SECA", AJUSTE DE CONTAS

"Lei Seca” consegue aprovação da maioria

Tita Principe

Em vigor desde o dia 20 de junho deste ano, a nova lei 11.705 do Código de Trânsito Brasileiro que proíbe os condutores de veículos de ingerir bebidas alcoólicas, já foi aprovada pela população, inclusive por aqueles que adoram tomar uns “drinks”. Depois do susto e muitos comentários dos biriteiros, o jeito foi se adaptar e seguir o lema, “Se beber não diriga... se não dirigir beba”...

O respeito a essa lei não está apenas relacionado ao respeito pela vida. O grande responsável pela obediência coletiva é a pesada multa de 957 reais, a perda da carteira de motorista e o carro apreendido. Caso o motorista tenha tomado bebida em excesso, ou seja, 0,6 grama de álcool por litro de sangue, poderá ser preso. Esta quantidade corresponde uma lata de cerveja ou uma taça de vinho.

A lei é seca e dura, mas os resultados até agora tem sido excelentes. O número de acidentes despencou vertiginosamente, chegando ao primeiro mês a 40 %. A economia dos hospitais tem sido festejada, e mais do que qualquer outra coisa, comemora-se a diminuição do número de mortes no trânsito. Quem já perdeu por acidente um filho, parente, ou assistiu a morte de qualquer criança ou jovem sabe muito bem do que estou falando. Quem não souber, prefira ignorar. Não há dor maior. As muitas vidas que já foram perdidas por causa da irresponsabilidade de motoristas embriagados nunca serão reparadas, mas a perspectiva de ver pessoas nestas circunstâncias serem presas é pra lá de alviçareira.

A severidade da pena imposta aos bebuns tem um leve gostinho de ajuste de contas. Quem não já passou por sério risco de vida quando foi conduzido por alguém que tinha tomado “apenas uma coisinha”? Com certeza boa parte da população. Asseguro que este depoimento é verdadeiro, pois eu mesma já dirigi após ter tomado umas bebidinhas e cheguei a casa me sentindo uma sobrevivente. Longe de ser engraçado, penso no que poderia ter acontecido a mim e principalmente aos outros que encontrasse pela frente. O carro conduzido por um bêbado é uma arma mortífera, extremamente eficiente. O motorista, um assassino.

Valeu. A lei é boa e pegou. Pena que não tenha sido aplicada antes!

sábado, 5 de julho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA/CIRCUITO SALADEARTE


O ESCAFANDRO E A BORBOLETA
Tita principe
Sem pieguices nem exploração sentimental, pelo fato de estar tetraplégico, apenas com a visão do olho esquerdo, a história da vida de Jean Dominique Bauby, contada por ele , se transformou num filme no qual as imagens vão buscar o humano do personagem, mergulhando na sua imaginação, traduzindo seus sentimentos, aflições e constatações através de fotografias e músicas perfeitas. Do glamour da vida do editor da Elle francesa, aos corredores de um hospital de reabilitação em Berck, cidade litorânea da França,o filme sobre Bauby, ou Jean Do, como era chamado, reúne uma história bem contada, um diretor excelente, Julian Schnabel, e cast ótimo.

ttartnews recomenda:Cinema do Museu, diariamente às 18:30

http://www.youtube.com/watch?v=bBDDWQ0_x6w&NR=1

sexta-feira, 20 de junho de 2008



SUPERHEROOES FASHOIN & FANTASY NO MET



SUPERHEROES: Fashion and Fantasy
Tita Principe
Com uma montagem high tec , divertida, e com um incrível apelo visual, o Metropolitan Museum Of Art, apresenta durante o verão, até 1de setembro, uma exposição na qual mostra a influência e a inspiração que as roupas dos super heróis tiveram sobre a alta costura avant garde e sobre as roupas esportivas de competição.
A mostra começa com o Super Homem de Andy Warhol de 1981 e em seguida vemos o traje original que Cristopher Reeve usou no filme Superman de 1978. Ternos de Moschino com a camisa emblemática do grande herói americano; vestidos de Jean Paul Gaultier com a trama do Homem Aranha, Thierry Mugler, Armani, Galiano, Dior, com uma interessantíssima produção da Mulher Maravilha com bobbies de latas de Coca-Cola, Cardin já inovando no material sintético que evoluiu para o traje dos nadadores, todos inspirados em algum dos muitos heróis como Homem Aranha, Mulher Maravilha e o grand finale é o traje original que Iron Man usou no filme que é o atual grande estouro de bilheteria nos EUA.
“Da primeira aparição do Super Homem em 1938, os Super Heróis têm exercido uma influência poderosa sobre o imaginário coletivo. Como os heróis bíblicos e mitológicos, que são seus ancestrais, os Super Heróis têm desempenhado o papel de Avatar, ou, condutores das nossas esperanças, sonhos e desejos...” Este trecho, é a tradução da parte inicial do prefácio do livro lançado com a exposição.



quinta-feira, 19 de junho de 2008